Início Cemig Saúde Como os custos dos planos de previdência privada afetam os benefícios

Como os custos dos planos de previdência privada afetam os benefícios

Os planos de previdência privada são indicados para quem tem a preocupação de formar uma poupança no longo prazo. A principal finalidade é a de garantir uma aposentadoria complementar, mas pode servir para a concretização de projetos de vida: realização de uma viagem, pagamento de uma faculdade para um filho, um neto, e assim por diante. Requer muita disciplina para os depósitos constantes sem a realização de saques, de modo a garantir a constituição de uma boa reserva.

Para operacionalizar a aplicação e fazer a gestão do dinheiro, os bancos cobram taxas. Mas, na tentativa de atrair maior clientela, alguns deles estão reduzindo esses custos para o participante.

O Itaú e o Santander, por exemplo, zeraram a taxa de carregamento, tanto de entrada como de saída, desses planos. Em ambas as instituições, a medida vale tanto para os clientes atuais como para os novos. A extinção do carregamento tende a elevar o patrimônio do participante, proporcionando um benefício maior no momento da aposentadoria.

A redução da taxa de carregamento a zero não chega a ser uma novidade. O carregamento foi criado na regulamentação dos planos de previdência pela Superintendência dos Seguros Privados (Susep) como medida de educação financeira, podendo ser escalonado ao longo do plano, chegando a zero. O escalonamento funciona como uma forma de conquistar a fidelidade do cliente. “Mas não deixa de ser punitivo ao investidor”, diz o superintendente de investimento do Banco Santander, Victor Bernarde.

O atuário Newton Cezar Conde, sócio-diretor da Conde Consultoria Atuarial, afirma que não é só a taxa de carregamento que conta para a formação do patrimônio do contribuinte. Há outras variáveis com reflexos sobre o saldo acumulado pelo correntista e, portanto, sobre seu futuro benefício, como tempo de contribuição, rentabilidade obtida com as aplicações financeiras durante o período de acumulação de recursos, dedução do Imposto de Renda na hora do resgate, idade de saída do plano, taxa de administração, composição da carteira e tábua de sobrevida (expectativa de vida) utilizada para o cálculo da renda mensal vitalícia. Mas é a cobrança da taxa de administração que recai sobre o saldo acumulado que exerce um forte peso no retorno final da aplicação.

Essa taxa é para remunerar o administrador do fundo. Ela é definida ao ano, mas vai diluída e descontada diariamente do valor da cota do participante. É quase imperceptível, mas provoca uma erosão razoável na poupança acumulada.

Atualmente, as taxas praticadas no mercado variam de 0,2% a 3,0% ao ano. “O desconto da taxa de administração tem progressão geométrica, porque incide sobre o patrimônio total acumulado a cada ano”, comenta o atuário. “Se for alta, ela corrói os rendimentos obtidos com as aplicações dos recursos”, complementa.

Para ter uma ideia de como a taxa de administração causa mais estragos do que a de carregamento, o atuário compara aplicações em planos de previdência privada: um com taxa de carregamento de 10% (limite) e taxa de administração de 0,3% ao ano e outro sem taxa de carregamento, mas com taxa de administração de 3% ao ano. No cálculo, as condições do participante foram consideradas as mesmas: idade de ingresso aos 25 anos, com saída aos 60 anos, portanto após 35 anos de contribuição, contribuições mensais de R$ 500,00 e rentabilidade de 4% ao ano.

No primeiro plano, com taxa de carregamento de 10% e de administração de 0,3% ao ano, o total acumulado após os 35 anos de contribuição seria de R$ 389.386,00, o que proporcionaria um benefício inicial de R$ R$ 2.176,00 ao mês. No segundo plano, sem taxa de carregamento, mas com taxa de administração de 3% ao ano, o saldo final do cliente, após os mesmos 35 anos de contribuição, seria de R$ 247.769,00, e sua renda mensal vitalícia cairia para apenas R$ 1.385,00.

Portanto, ao pesquisar os planos de previdência privada, o investidor deve prestar muita atenção à taxa de administração e optar por aquele em que essa taxa estiver mais próxima possível a zero. Isso para evitar ver o seu benefício mensal minguado.

Incentivo fiscal
Bernarde, do Santander, orienta que, antes de ingressar em plano de previdência, o investidor faça seu planejamento fiscal. Quem faz a declaração de Imposto de Renda no formulário completo da Receita Federal deve optar pelo Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL), que permite deduzir o valor de todo o dinheiro que investiu ao longo do ano de sua base de cálculo do IR, limitado a 12% de sua renda bruta tributável.

Para quem faz a declaração de ajuste anual pelo formulário padrão ou é isento do pagamento do tributo, a melhor opção é o Vida Gerador de Benefícios Livres, o VGBL, porque não poderá abater as contribuições na declaração anual do IR. Em contrapartida, no momento do resgate ou do pagamento do benefício, só pagará o IR sobre o rendimento das aplicações e não sobre o valor total, como ocorre no PGBL.

O atuário ainda lembra que ao sair do plano, o contribuinte deve exigir a aplicação da tábua de expectativa de vida fixada no momento em que ingressou no plano e não a mais recente, em que a sobrevida tende a ser maior. Isso porque quanto maior a expectativa de vida, menor tende a ser o benefício mensal.

Fonte: Agência Estado